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Poesias

kikoarquerpoesia

www.kiko.arquer.com.br

Vou te contar um rochedo, acariciar concreto só ma Vou te contar um rochedo,
acariciar concreto
só machuca o dedo.
Essas palavras me encantam por sua perspicácia soc Essas palavras me encantam por sua perspicácia social.

Quantas vezes encontramos pessoas que 
não
nos
olha
nos
olhos,
né?

Ou 
nos
olha 
com
ódio.

Em muitos casos assim, desconfio que elas andam me imitando quando eu não estou por perto. 

Essas pessoas falam mal de mim quando eu não estou junto, e isso transpira nelas. É quase visível. 

Elas não "falam" comigo", ela "desfalam". É um "oi" querendo dar "tchau". Tudo que falo é refutado, toda minha participação é errada.

Os corpos delas viram de lado. 
Os corpos delas transmitem o medo ou o rancor de terem falado mal de mim, e "falar mal de mim" já constitui a identidade que elas criaram para si mesmas junto aos demais.

Os rostos delas quase viram de lado com a minha presença, e ao mesmo tempo me olham fixo com ódio. 

 O "avirada" cumpre essa função. Elas viram a cara? Elas me encaram?

O prefixo a- indica negação ou ausência. Por exemplo, anônimo (sem nome), acéfalo (sem cabeça).

E então, "avirada" faz o mal estar social da mirada.

Ah, e como é ruim quando me imitam em 1ª pessoa. Odeio muito.

Alguém está falando de mim e coloca palavras na minha boca. Por exemplo:

- O Kiko falou que não iria tomar sorvete, e ele disse: "ui ui, eu odeeeeio sorvete de flocos". 

Eu não gosto de flocos mesmo, mas os imitadores sabem que suas imitações buscavam me humilhar. Os corpos avirados mostram isso. 

Por fim, que junção mais bonitinha o "conversa fiada" com "conversa afiada", não é mesmo? 

A língua afiada que corta, que maldiz.
A conversa fiada que não serve pra nada.
Vale a pena pensar no tempo diante desse texto. Ta Vale a pena pensar no tempo diante desse texto. Talvez um Aion preenchido de microações.

Seilá. 

Talvez um tempo que não passa da ilusão de que algo realmente possa ser revertido. 

O tempo que ajeita, ou o tempo que vinga. 

O machado parado, o machado de madeira de árvore, o machado finito.

Esse texto não é fácil pra mim e ele brinca com a minha burrice. Às vezes esqueço como entendê-lo, às vezes volto a decifrá-lo.
"Quando vi o desdém falando amém, aprimorei meu ne "Quando vi o desdém falando amém, aprimorei meu nem" .

#poesiabrasileira #poesiaautoral #poesiadeprotesto #criticasocial #poesiacontemporanea
Esse texto abre algumas perguntas. Uma delas é: "o Esse texto abre algumas perguntas. Uma delas é: "o que seria uma fé muda?"

Talvez querer muito que algo aconteça, mas não falaremos nada a respeito?

Seria alguém rezando quieto num cantinho? Não sei não.

O mudo não fala por que não quer? 
O mudo não fala por que não pode? ou o mudo não fala por que não sabe falar?

A palavra "muda" entra na boca, ela vira "sede". A "sede" entra no corpo e o "resseca".

Ressecado em baixo da chuva. Ressecado de tanto gritar.

Grita alto para que o verde mude de cor. - Vire amarelo !!! Vire Vermelho !!!

Mas você já gritou para um palmeirense: - Vire corintiano?! Adianta?

Estamos torcendo, estamos gritando, esgoelando com fé de mudança. 

E somos pessoas ordinárias, somos comuns, somos apenas mais um: COM`UM

E na dança dos sons, amo como o "sede" brinca com "verde".

Ah, essa foto foi tirada em Curitiba, na manifestação do Gigante Acordou, em 2013.
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❤️ "Não enrolo nem torço, ou controlo ou distorço ❤️ 
"Não enrolo nem torço,
ou controlo ou distorço".

Neste texto, adoro como a palavra "distorço" também brinca com o "des-torcer".

Distorcer é deformar.
Destorcer é desfazer a torção (deixar de estar torcido), e é aí que entra também o "torcer" de "torcida", e bagunda tudo.

O prefixo de negação "des" não é claro, mas nesse contexto ele busca sentido e tenta deixar reto o que está enrolado.

Porque eu não "enrolo", eu deixo reto.
Eu não "torço" (deformo) e nem sou "torcida" que não joga. 

Se eu não jogar, paro de torcer (des-torço)

Eu jogo, e estando dentro do jogo, tenho ou busco o controle.
Busco tanto o controle que posso alterar tudo, inclusive distorcer as regras do jogo.

Gosto desse texto. Muitas letras, muitos sentidos.

No design, na palavra "distorço", engordei o "i" para destoar, e resregulei o "S" para que o "torço" fosse melhor enxergado.
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Adoro a congruência das palavras "ódio" e "bigode" Adoro a congruência das palavras "ódio" e "bigode". Dá até vontade de cantarolar a palavra "bigódio".

A "via" dança com a "rua", mas não rima. Esse "via" é de ver, mas coloca nosso protagonista em mudança de rota só para agredir o barbudo (era outra rota, outra via).

Na verdade, "rua" é uma rima rica com a palavra "sua", pois são classes gramaticais diferentes. Chique, né?

E para esclarecer, "pogonofobia", no dicionário é:
[Psicopatologia] Medo patológico de barbas.

Ah, e acho o "qualé a sua?!" uma briga de rua.
Gosto dessa historinha, pois tem brincadeiras com Gosto dessa historinha, pois tem brincadeiras com água e palavras.

O nome "Augusto" não é sem querer. "Augusto" vem do verbo latino augere, que significa "aumentar", "engrandecer" ou "fazer crescer". Ao mesmo tempo, gósto do gôsto sonoro que mistura "água" e "augusto".

(obs: eu coloco acentos onde eu quiser).

No detalhe, vemos também que as exclamações diminuem no decorrer do texto: partem de três (!!!), duas (!!) uma (!), e por fim ela acompanha uma interrogação (?!). Isso representa o desinteresse das crianças no tio Augusto, que começam a notar que ele é apenas uma pessoa ordinária, e no fim se mostra um coitado querendo ser alguém especial. 

Aliás, o protagonismo da falta de água do tio Augusto tensiona um desequilíbrio que encontra seu oposto no desfecho, o antagonista vem de balde, vem "encharcando".

A realidade é implacável. Ela sempre buscará o equilíbrio: seco e molhado; muito seco, encharcado.

Tem muitas coisinhas aí dentro do texto. A palavra "wow" é em inglês e tem o porquê. Mas isso abrira novos debates decolonizadores.

Ah, adoro como os sons dançam com "wow e "especial". Com "água", "falava", "pensava", o "cenário" com "ordinário", e etc.

Valeu.

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Este texto foca nos diversos eus que compõem o tem Este texto foca nos diversos eus que compõem o tempo.

O eu do passado, suas ações, espaços, contextos e memórias, podem refletir melhor sobre um eu ainda anterior, porque ele está mais próximo. 

Lá, a carne ainda latejava a cicatriz onde, hoje, só há marcas na pele.

Não há rompimento à ficção da linearidade temporal, mas quebra-se a ilusão de uma evolução cumulativa, viciada à constante melhora. 

Eu não sou uma soma do tempo, sou sim uma seleção refinada do tempo, deixando para trás um lixo brutal de formas de ser.

E por que "meio" e "buraco"?

Faço, do meu passado, uma contemplação em retropia. Num espectro amplo de início, meio e fim, o "meio" é um centro-do-círculo que me constitui, já o "buraco", é um centro-do-círculo que estava perto e ainda era caível.

Tem também as brincadeiras com "ch" e "x", tanto em palavras quanto em sotaque (e.g. antchiontchi), mas isso deixo para o nosso declamar.

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Este texto sempre me remete à ambientação criada p Este texto sempre me remete à ambientação criada por Arnaldo Antunes na música "O Buraco do Espelho". É uma canção silenciosa, uma sensação de madrugada parada entre paredes. Uma canção de dualidades. Maravilhoso. Vale a pena conferir. 

Neste texto aqui que fiz, tanto o dia quanto a noite não são antagônicos, por mais que exista o lá e o cá. O intenso e o óbvio. 

Por mais que a palavra "dia" tente surgir, ainda estamos presos à noite.

A sensação de "ódio" e "óbvio" só cabe ao leitor. 

A imagem do ódio sendo empurrado pra frente cabe ao leitor: ele define o que odeia. 

A mesma coisa com o óbvio. O leitor que defina a quantidade de coisas óbvias, superficiais. Coisas que ele não aguenta mais de tão rasas. Tudo que o deixa entediado. 

Uma coisa eu garanto: sou apaixonado pela amálgama entre "dia", "adia", "ódio", "entendia" e "óbvio". 

Porra, isso é apaixonante. E o "obvio" ainda é primo do "noite", do mesmo jeito que o "entedia" e o "tudo" estalam a língua e caminham de mãos dadas. 

@arnaldo_antunes
Quando a gente se dá conta de que um criminoso de Quando a gente se dá conta de que um criminoso de guerra nazista viveu uma vida confortável no Brasil, com banho quente e comida saborosa, até morrer de velho....

Quando a gente analisa a perspectiva de multimilionários que deixaram heranças após tomarem terras, escravizarem e maltratarem milhares de pessoas...

Quando a gente enxerga as infinitas histórias de injustiça que não têm uma força igual e contrária, vamos ficando lúcidos de que não há uma ação-reação incorpórea no planeta Terra.

No entanto, se nos afastarmos um pouco, se nos enxergarmos como um pequeno grão de areia, um pedacinho finito de carne, vemos que tamanhas maldades são pequenos detalhes. 

Detalhes horrorosos, mas pequenos detalhes.

E todos eles são passíveis da maior sentença de todas: a finitude de tudo, a morte, o fim..
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Esse texto ele faz o caminho do grande para o pequeno. Do imenso para o detalhe. O objetivo disso é exatamente quebrar a ficção da crença no limbo e também numa justiça imanente. 

Ao mesmo tempo, podemos interpretar também que a sentença é o próprio crime que compensa, levando o criminoso a se sentir grande, imenso, articulador de detalhes, de vida imensa e egolátrica. 

E esse "detalhe" ainda pode ser refletido como o vestígio que efetua ou entrega o crime, uma evidência de erro ou de ego. 

Valeu. 
 
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